:: Poesias ::

 

NADA

Nada somos
sem as tragédias
diárias: ínfimas
apequenadas
quase nada diante do despropósito.

Diariamente nos destruímos
em sobrevivências
e afagamos animais
estimados. Choramos
nossas crianças. Cultivamos
crenças destinadas
ao ocaso.

Pedro Du Bois
http://pedrodubois.blogspot.com

Sonetilho para Everi Carrara

Esse teu meigo olhar
Suave Amor a verter
vem envolvente acariciar
o porvir do teu querer

Estonteante sedução
a verter todo momento
atravessando o coração
em aprazível encanto

Quão majestoso é amar
Sendo sumptuoso o sentir
E tanto Amor irradiar


Num esfuziante querer
Grita o coração
Que jamais irá perecer.


Efigênia Coutinho
Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores
www.avspe.eti.br

gavião
O século XXI me dará razão
(se tudo não explodir antes)

O século XXI me dará razão, por abandonar na linguagem & na ação a civilização cristã oriental & ocidental com sua tecnologia de extermínio & ferro-velho, seus computadores de controle, sua moral, seus poetas babosos, seu câncer que-ninguém-descobre-a-causa, seus foguetes nucleares caralhudos, sua explosão demográfica, seus legumes envenenados, seu sindicato policial do crime, seus ministros gângsteres, seus gângsteres ministros, seus partidos de esquerda fascistas, suas mulheres navios-escola, suas fardas vitoriosas, seus cassetetes eletrônicos, sua gripe espanhola, sua ordem unida, sua epidemia suicida, seus literatos sedentários, seus leões-de-chácara da cultura, seus pró-Cuba, anti-cuba, seus capachos do PC, seus bidês de direita, seus cérebros de água choca, suas mumunhas sempiternas, suas xícaras de chá, seus manuais de estética, sua aldeia global, seu rebanho-que-saca, suas gaiolas, seus jardinzinhos com vidro fume, seus sonhos paralíticos de televisão, suas cocotas, seus rios cheios de latas de sardinha, suas preces, suas panquecas recheadas de desgosto, suas últimas esperanças, suas tripas, seu luar de agosto, seus chatos, suas cidades embalsamadas, sua tristeza, seus cretinos sorridentes, sua lepra, sua jaula, sua estricnina, seus mares de lama, seus mananciais de desespero.

 
Roberto Piva - São Paulo - SP
 

foto: jerry uellsmann
AVATAR

Miosótis trança o xale
E negro e multicor
E trança a lembrança
Ancestral, sobra de esmeralda
Sombra anônima
Onipresente.

Em cada franja
Uma pétala
A matiz serenata
Na manhã retinta
Em longos goles
E a memória
Tecendo a visceral
Híbrida de chá.

Até que tudo seja ocre
sempre amanhecerá
E a carícia de sangue
Perpetuará
E nas teias do xale
Miosótis terá seu casulo
Nidificação de serenata
Matriz do aconchego
Tecendo a estrela da alvorada
Os sinos vespertinos da codex
noturna...

Para minha avó materna: Luiza Maria de Oliveira

 
Adriana Manarelli - Araçatuba - SP

gavião

O Amazonas espera para transbordar
essa tragédia vai ser uma beleza.
braseiro
& seu roteiro na rua.
você quer se fechar no quarto
onde eu estou.
a noite ergue a cabeça.
coração de cristal / o vulcão se ilumina.
astro berrando em seu ombro.
corpo rolando neste clima de
lagarto.
o amor é uma ponte de
brinquedo.
ele dança no pescoço da manhã
à noite.

***

Dêem-me um anestésico. A vida dói e arde.
Não sei controlar meus impulsos demoníacos.
Não acredito em forças de outro mundo.
Sou eu, meus versos e o perigo das frações.

Arranco minhas vísceras poéticas do ostracismo.
Trezentos dias e cinqüenta noites marianas.
O caracol de meus cabelos caídos no chão de espelhos.
O sangue e os olhos transformados em areia cinza.

A árvore sem galhos escondem os meninos saltimbancos.
Foi-se o tempo em que se acreditava nas histórias ditas.
Sempre começo pelo meio e jamais olho para os lados,
enquanto rio e sufoco meu próprio rosto turvo.

Minha maquiagem, os primeiros tombos das gaivotas.
Atiro farpas e pragas para antigos e mórbidos desejos.
A torre delirante de um neocórtex em latência,
ou o pedúnculo, ou o miocárdio, ou o octocentésimo.

Quatro poemas nos espaços angustiados do processo.
Sou eu? Sou ateu? De que me valem as respostas?!
As idéias me levam ao eterno estado de castidade
entrelaçado neste puro estado de sonho e malogro

 
Roberto Piva - São Paulo - SP
 

Os Homens Ocos

Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!
Nossas vozes dessecadas,
Quando juntos sussurramos,
São quietas e inexpressas
Como o vento na relva seca
Ou pés de ratos sobre cacos
Em nossa adega evaporada

Fôrma sem forma, sombra sem cor
Força paralisada, gesto sem vigor;

Aqueles que atravessaram
De olhos retos, para o outro reino da morte
Nos recordam - se o fazem - não como violentas
Almas danadas, mas apenas
Como os homens ocos
Os homens empalhados.

Os olhos que temo encontrar em sonhos
No reino de sonho da morte
Estes não aparecem:
Lá, os olhos são como a lâmina
Do sol nos ossos de uma coluna
Lá, uma árvore brande os ramos
E as vozes estão no frêmito
Do vento que está cantando
Mais distantes e solenes
Que uma estrela agonizante.

Que eu demais não me aproxime
Do reino de sonho da morte
Que eu possa trajar ainda
Esses tácitos disfarces
Pele de rato, plumas de corvo, estacas cruzadas
E comportar-me num campo
Como o vento se comporta
Nem mais um passo

- Não este encontro derradeiro
No reino crepuscular

T.S. Elliot
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